A Black Friday passa. Clareza fica.
Enquanto o mundo digital entra em liquidação emocional, tem gente redescobrindo o prazer de não participar da correria. Uma reflexão bem-humorada sobre FOMO, ROMO e o valor de não entrar na onda, nem no cupom.
Novembro chegou.
E, com ele, a temporada oficial do “última chance”, “só hoje”, “link na bio” e “não perca essa oportunidade única de mudar sua vida (pela décima vez esse ano)”.
O feed parece um grande camelô digital: um vendendo curso, outro vendendo combo, outro vendendo o curso que ensina a vender curso.
E você ali, olhando pra tela e pensando:
“Será que sou eu que tô errada de não ter virado uma campanha ambulante?”
Calma, não é você.
É o FOMO — Fear of Missing Out, o medo de estar perdendo algo enquanto o mundo parece viver sua melhor versão com filtro Paris e promessa de sete dígitos.
Mas eis o plot twist:
chegou o ROMO — Relief of Missing Out.
O alívio de estar perdendo.
De não participar da gritaria.
De não precisar inventar uma “oferta irresistível” só pra sentir que ainda existe.
ROMO é olhar o caos do feed, dar um gole no café e pensar:
“Graças a Deus, tô fora dessa confusão.”
O circo digital e a Black Friday emocional
A Black Friday virou um carnaval capitalista, serpentina de gatilho mental e confete de escassez.
De um lado, os “gurus da conversão” prometendo seis dígitos em três dias.
Do outro, colabs que parecem casamentos arranjados entre profissionais que mal se conhecem.
É o combo do combo, o bônus do bônus, o “curso vitalício” que o próprio autor já esqueceu que existe.
E a gente, do outro lado da tela, tentando acompanhar esse desfile de urgência fabricada.
Mas a real é simples:
ninguém aguenta mais urgência sem propósito.
E cada “última chance” só reforça o que o público já sabe — se é sempre a última, nunca é real.
Desconto ou desespero?
A ironia é que o termo Black Friday podia ser trocado pra Black Self-Esteem.
Porque é o mês em que todo mundo começa a duvidar do próprio valor.
Tem profissional incrível que passou o ano inteiro entregando qualidade — e chega novembro achando que precisa dar 70% de desconto pra continuar sendo visto.
Como se o preço fosse o único idioma que o cliente entende.
Mas aqui vai a verdade que ninguém posta no carrossel:
O público não compra o mais barato, compra o mais coerente.
E coerência não se mede em cupom.
Se mede em clareza.
Em propósito.
Em saber olhar pra sua oferta e dizer:
“Isso vale o que custa. E se você ainda não entendeu, tá tudo bem.”
Porque quem vende por urgência é comprado por impulso.
Quem vende por consistência é comprado por consciência.
Collabs e combos: o novo “me ajuda a vender”
Ah, as collabs.
Elas merecem um capítulo à parte.
A nova febre é juntar profissionais pra vender “algo juntos”, para aqueles que já compraram os vitalícios individuais no ano passado.
Um fala de tráfego, outro de mindset, outro de copy e no final o cliente não sabe se comprou um curso, um TED Talk ou um grupo de apoio.
Nada contra parceria, quando é sinergia, é lindo.
Mas quando é desespero disfarçado de collab, vira bagunça com branding.
Se o motivo da união é medo de não vender sozinho, o nome disso não é collab.
É carência estratégica.
ROMO: o novo privilégio consciente
Confesso que eu adorei descobrir esse novo termo… o verdadeiro privilégio é não precisar participar de tudo.
É escolher o silêncio enquanto o mercado grita.
É olhar o calendário e decidir que novembro é pra revisar estratégia, não pra vender a alma em 12 vezes sem juros.
ROMO é isso: o prazer de estar fora da confusão porque você sabe que sua marca não depende de urgência, mas de consistência.
E o mais curioso?
Quando o barulho passa, o público volta a buscar quem ficou de pé.
Quem não entrou na onda.
Quem escolheu ser voz, não ruído.
O desconto que vale a pena
Nesse novembro, não faça desconto no seu preço.
Faça desconto na sua pressa.
Na sua comparação.
No seu medo de ficar pra trás.
Enquanto eles gritam por atenção, você pode escolher fazer sentido.
E sentido, esse sim, nunca sai de moda.











