As aulas recomeçam. Materiais novos, lancheiras organizadas, mochilas prontas. Mas, para além da logística do retorno à rotina, há um movimento silencioso que nem sempre as mães percebem: a influência da moda na vida emocional dos filhos.
Hoje, meninos e meninas crescem sendo impactados diariamente pelas tendências que veem nas redes sociais especialmente no TikTok, que dita o ritmo da estética adolescente com mais força que qualquer passarela. Sim, estamos falando de moda, mas também estamos falando de pertencimento, inseguranças, autoimagem e desejo de aceitação.
O que eles estão usando e por quê
Neste novo ano letivo, vemos o retorno de peças que, para muitas mães, são puro déjà vu. A estética “anos 2000” voltou com tudo: saias plissadas, camisetinhas baby-look, customização de cadernos, capas de celular e mochilas com stickers, patches e brilho, presilhas de borboleta e a clássica bolsa Longchamp, leve, dobrável, com um toque de nostalgia “preppy-chic”, virou febre entre as adolescentes novamente. Sim, aquela mesma que você usou ou desejou um dia, está sendo redescoberta como um item fashion, cool e que comunica estilo, maturidade e até certo prestígio, um símbolo silencioso de pertencimento a um grupo.
Já os meninos, por sua vez, transitam entre o visual largado de propósito, inspirado no estilo “skater” (bermudas largas, camisetas oversized, bonés retos, tênis Jordan, Dunk, Adidas Samba, Vans…) e a tendência “soft boy”, que traz mais leveza, sensibilidade e criatividade, misturando camisetas vintage, cores pastel e até pulseiras de miçangas e colares artesanais. A chamada estética “soft” não se trata de fragilidade, mas da liberdade de expressão, algo tão buscado pelos jovens. O visual é montado com atenção, mesmo quando parece desleixado. E tudo tem um motivo: encaixar-se nos códigos do grupo.
TikTok: o novo espelho da juventude
Com vídeos curtos e virais, o TikTok criou uma nova forma de “espelhar” o mundo para os jovens. É lá que eles descobrem o que está em alta e aprendem que a imagem comunica antes mesmo da fala. Parece fútil? Mas não é. A imagem é parte da construção da identidade e negar isso é fechar os olhos para uma linguagem que seus filhos já falam fluentemente.
Essa é uma oportunidade valiosa: conversar com eles. Compartilhar que, na sua época, você também seguia tendências. Mostrar fotos antigas, relembrar suas fases, rir juntos dos looks. Essa troca é afeto. E afeto, na adolescência, é abrigo.
Mas e você, mãe? Quando foi seu último “back to you”?
Você passa o ano todo cuidando do emocional, da alimentação, da escola, do uniforme e das fases do seu filho. Mas será que tem se olhado com o mesmo carinho? Será que tem escutado seus próprios desejos e prestado atenção na sua própria imagem?
A forma como você se veste, se posiciona e se vê também influencia muito mais do que imagina o olhar do seu filho sobre o que é autoestima, autocuidado e identidade.
3 passos para acompanhar, sem perder sua essência:
- Converse com interesse verdadeiro
Pergunte o porquê das escolhas, observe o que mudou. Mostrar curiosidade sem julgamento cria conexão.
- Compartilhe sua história
Contar como você se sentia na idade deles abre espaço para confiança e aproximação.
- Cuide de você
Retomar o cuidado com sua imagem não é vaidade, é inteligência emocional. Quando você se vê com amor, ensina isso sem palavras.A moda, no fim das contas, é mais do que tendência. É ferramenta de expressão, ponte entre gerações e um convite para se (re)conhecer como ser, como você.











