Inteligência Emocional na Mochila: Dicas para um Retorno Escolar Mais Leve

Agosto marca o fim das férias e o retorno à escola — uma fase de transição que pode gerar ansiedade, insegurança e comportamentos inesperados nas crianças. Birras, apatia ou até silêncio excessivo nem sempre são “dramas infantis”, mas formas imaturas de expressar emoções complexas como medo, saudade ou frustração.

A psicóloga mexicana Julia Borbolla explica:

“É mais fácil colocar a capa do mau humor do que mostrar o medo ou a tristeza que temos por dentro.”

Como pais e mães, precisamos aprender a escutar além das palavras — com empatia e presença — para apoiar nossos filhos emocionalmente nesse retorno.


5 Estratégias para Construir Inteligência Emocional

1. Rasgue a “capa do mau humor”

Comportamentos rudes ou fechados podem esconder medos e inseguranças. Em vez de corrigir de forma ríspida, acolha com empatia:

“Você está bravo ou tem algo difícil aí dentro?”

Essa escuta afetiva abre espaço para conexão e valida os sentimentos por trás das atitudes.

2. Ensine o vocabulário das emoções

Nomear sentimentos é dar forma ao que se sente. Dizer:

“Isso se chama frustração. Acontece quando queremos algo e não conseguimos”

ajuda a criança a identificar e lidar com as emoções. Compartilhar as próprias emoções (“Às vezes eu também fico frustrada…”) torna o processo mais humano e acessível.

3. Valide, mesmo com limites

Empatia e firmeza podem (e devem) coexistir. Dizer:

“Eu entendo que você está triste por voltar à escola, mas ainda assim, vamos nos arrumar juntos”

demonstra autoridade carismática e reforça a segurança emocional da criança.

4. Seja exemplo de regulação emocional

Crianças aprendem observando. Quando você nomeia e gerencia suas próprias emoções, ensina com o exemplo:

“Estou ansiosa com o trabalho, mas vou respirar fundo antes de começar”

Modelar esse comportamento é especialmente importante para pais que vivem rotinas exigentes.

5. Crie rituais de conexão

Antes de dormir, troque o “boa noite” por:

“O que te fez sorrir hoje?” ou “Teve algo que deixou seu coração apertado?”

Esses pequenos momentos fortalecem o vínculo e transmitem segurança emocional — mesmo em dias difíceis.


Educar emocionalmente não é ter todas as respostas, mas estar presente e aberto ao aprendizado mútuo. A cada manhã, enquanto colocamos a mochila nas costas de nossos filhos, também entregamos ferramentas para que enfrentem a vida com coragem e consciência.

Seja o espelho emocional que seu filho precisa. Ele não precisa de pais perfeitos — precisa de pais emocionalmente disponíveis.

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